quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O misterioso vazio - Como Tudo pode ter surgido do Nada?


Eclipse.


Para responder essa pergunta ainda há muitas limitações lingüísticas e intelectuais, pois é necessário lidar com conceitos que o cérebro racional tende a rejeitar ou relativizar. Conceitos como infinito, amor, eterno, perfeição, incriado, incogniscível, não cabem na mente comum.

Afinal, o que é esse “nada”, como o universo pode ter surgido de onde não havia coisa alguma?

Se levarmos em consideração a lei da conservação das massas que diz "Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma", teremos que supor que tudo que existe estava contido em algum lugar antes do Big Bang, mas até hoje os cientistas não sabem explicar o que havia antes do ponto singular onde tudo começou.



Bing Bang.

Pesquisas científicas recentes já admitem que não há o que chamamos de vazio no universo, mas sim algo denominado de matéria escura, que juntamente com a anti-matéria representaria cerca de 95 % do universo, o que nos lembra também da relação entre a massa de um átomo e seu espaço “vazio”.

Para ilustrar melhor resolvi pegar o trecho de uma matéria publicada em 2004 pela revista Superinteressante:

“Elimine todo tipo de matéria ou de radiação, até os gases mais rarefeitos e as menores partículas atômicas. Agora estenda a limpeza aos quatro cantos do espaço. Você criou um Universo vazio. Claro que isso é um absurdo – algo como uma laranja sem gomos nem casca. Mas vale a pena insistir nessa experiência imaginária porque os cientistas que estudam o Universo fizeram algo parecido com ela. O que descobriram é, ao mesmo tempo, muito difícil de acreditar e praticamente impossível de contestar. Especialistas de várias universidades americanas, com base em imagens da radiação de fundo do Universo – o brilho que sobrou do Big Bang –, chegaram à conclusão de que, se você tirar tudo o que é possível do cosmo, toda matéria, todos os micróbios, as rochas, animais, galáxias, átomos, luz, ele ainda continua pesando três quartos do que pesava antes. Para ser preciso, restam 73% da massa original.”

Na verdade essas pesquisas só vem corroborar o que se ensinava há milênios nas escolas dos mistérios.

Segundo as tradições antigas o universo surgiu através do que se chama matéria primordial, raiz da matéria ou mulaprakriti, algo como uma energia sem nenhum movimento ou vibração, ou poderia arriscar dizer a ausência de energia, o verdadeiro silêncio cósmico.

Acontece que nessa cosmogênese considera-se o universo como sendo cíclico, alternando-se entre períodos de atividade (manvantara) e repouso (pralaya). Então, nessa concepção, chegará um momento que todo o cosmos vai retroagir, desinflar, voltando ao estado de repouso, algo como as ondas que se formam num lago após jogarmos uma pedra nele (ideação cósmica) e depois esse lago voltará ao seu estado de tranquilidade.


Ondas no lago.


A ideação cósmica seria um impulso para a próxima manifestação, como a pedra jogada no lago. Também podemos visualizar algo como a matéria virgem, indiferenciada, sendo fecundada pela ideação cósmica.

É difícil ainda, para a nossa compreensão entender o porquê dessa manifestação, se é uma necessidade, um acidente ou apenas “é”.

Esse movimento cíclico, seguindo o princípio hermético do “assim como é em cima é embaixo”, acontece em todos os níveis da manifestação. Não é a toa que no hinduísmo esses ciclos são conhecidos como a respiração de brahma.

Brahma cria o mundo.


Uma boa analogia é imaginar a tela do seu monitor. Quando ele está desligado só há escuridão, isso porque não há energia fluindo ali que possa ativar a manifestação de cores e contrastes, mas a estrutura para que tudo se manifeste está lá o tempo todo, comparando com a matéria virgem indiferenciada, podemos dizer que ela sempre existiu em estado potencial.

Bem, quando ligamos o monitor (e o PC junto é claro, hehe), toda a informação que estava gravada nas diversas memórias vem à tona, agora temos o mundo dos fenômenos.

Para que possamos entender o que vemos na tela, é preciso saber que toda a informação é codificada em códigos binários (uma representação da dualidade básica que faz o universo surgir). Tudo que vemos na tela não passa de zeros e uns alternados. Fotos, vídeos, desenhos, são na verdade, oscilações entre o 1 (tudo/ligado) e o 0 (nada / desligado).



Zero e Um.

Alguns cientistas e pesquisadores como é o caso de Nassin Haramein, acreditam que essa parte invisível do cosmos é um grande processador de dados que está o tempo todo recolhendo informação e manifestando de volta em forma de fenômenos num fluxo constante.

Haramein, vem tentando encontrar o que ele chama de “estrutura do vácuo”, uma espécie de peça cósmica básica que serviria para explicar tudo que observamos fora de nós. Essa peça seria formada por 64 tetraedros combinados de forma a proporcionar um equilíbrio perfeito entre energias positivas e negativas. Coincidentemente 64 é o número de trigramas do I Ching, o famoso oráculo chinês, sendo que a figura dos 64 tetraedros lembram bastante o Sri Yantra, um símbolo místico que representa a revelação de conhecimentos elevados.



Tetraedros e Yantra.



Vale lembrar também a teoria do físico David Bohm sobre a ordem implicada do universo. Para Bohm existiria uma realidade subjacente a nossa, que não aparece fisicamente, mas que é a base e o substrato de onde tudo vem à existência, como se fosse um sistema operacional onde todo o drama cósmico se desdobra.

Mas aí surge a pergunta: quem alimenta esse sistema de dados?

Acredito que são as consciências que fazem isso. Não só as consciências encarnadas e desencarnadas, mas todos os tipos de consciência, em todos os níveis e dimensões.

Assim como uma vontade incogniscível trouxe o universo à existência, nós que somos fragmentos dessa mesma vontade, estamos alimentando o grande processador continuamente. Por isso, desde tempos imemoriais, tem-se falado tanto na responsabilidade de pensar de maneira construtiva, da meditação, o famoso “orai e vigiai”. Não é uma questão de ser “bonzinho”, mas de responsabilidade total pelo seus atos, já que tudo estaria conectado através dessa malha da realidade.

Também é interessante traçar um paralelo com conceitos sobre meditação e serenidade onde a criatividade só surgiria a partir de um imenso silêncio (vazio) mental.

O que podemos concluir até aqui é que falar em vazio tem cada vez mais perdido o seu sentido.

Uma forma interessante de pensar sobre o assunto é perceber algumas bizarrices matemáticas, como por exemplo, o fato de que se temos uma fila de milhares de zeros (vazios) não há ali mais do que o mesmo vazio (0x0=0), mas basta colocar o número 1 de um lado, ou com uma vírgula do outro e teremos a representação de uma representação numérica inimaginável para a mente comum. Ou seja, basta que o “1” entre em cena e podemos ter todo um universo formado!


Então: 00000000000000000000000000000000000000 = 0  mas....



100000000000000000000000000000000.....= quantidade de átomos no universo.       ou ....

0,0000000000000000000000000000000001... = o mundo do infinitamente pequeno.





É bem provável que num futuro não muito distante seja possível para a ciência entender de que modo funciona essa tal matéria escura, inclusive de que ela é feita e como interage com o resto do universo. Resta saber o que farão com um conhecimento tão poderoso. Vamos aguardar!



Nota 1: Pouco depois de terminar essa matéria, me chegou a notícia de que uma jovem estudante egípcia teria inventado um método de propulsão de foguetes revolucionário baseado na física quântica e nas propriedades do vácuo. Segue um trecho da reportagem:

“Este novo sistema baseia-se nas teorias da Física Quântica, uma ciência que ainda não é totalmente dominada pelo Homem, mas que é muito promissora. A ideia revolucionária é que “o vazio afinal não está vazio”. Existem por lá umas partículas virtuais que se repelem ou que se atraem consoante o seu arranjo, também este virtual .“


Aconselho também que assistam o documentário Trhive, onde são mostradas algumas descobertas em torno da estrutura do vácuo e suas possíveis aplicações para produção de energias limpas. (http://www.youtube.com/watch?v=BedY5ToKhP4)


Nota 2: Mulaprakriti (em sânscrito: Mula, raiz; Prakriti, natureza) é uma expressão usada pelos estudiosos vedantinos e na Teosofia para designar a raiz da matéria e da natureza. Mulaprakriti, a Substância Primordial, Substância Abstrata, está relacionado com Parabrahman, sendo ambos coeternos.

No Imanifestado, antes do aparecimento do cosmo objetivo, Mulaprakriti permanece latente, sendo o véu que envolve Parabrahman, unido a Ele por meio de Fohat. No período de atividade (Mahamanvantara), por sua vez, Mulaprakriti torna-se o aspecto passivo, negativo, feminino da manifestação, fertilizado pela Ideação Cósmica por meio de Fohat, o Raio divino.

Mulaprakriti é a raiz e substrato da matéria em todos os seus graus, e veículo para todos os fenômenos, sejam físicos, psíquicos ou mentais. Ele é a fonte de onde o Akasha emana. (fonte Wikipédia) 

Jorge Melo
39 anos, Estudante de Teosofia 
Pesquisador na área do autoconhecimento

9 comentários:

  1. Na Doutrina dos Espíritos,mais precisamente nas perguntas do Livro dos Espíritos sobre os elementos constitutivos do universo,os espíritos superiores respondem que há três elementos constitutivos nele:

    Deus,causa primária de todo o universo;
    Espírito,princípio inteligente da criação;
    Matéria cósmica em quintessência

    Essa matéria quintessenciada,os espíritos chamaram de fluido cósmico,que,segundo eles,seria a massa primordial de tudo que existe e que sem ele a matéria,com suas inúmeras transformações não seria possível;"Esse fluido universal, primitivo, ou elementar, sendo o agente que o Espírito utiliza, é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de dispersão e nunca adquiriria as propriedades que a força da gravidade lhe dá."

    Está aí atestada,a existência daquilo que os cientistas hoje chamam de matéria bariônica ou escura,isso a mais ou menos 150 anos atrás.

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  2. Pode a ilusão explicar além da ilusão?

    A ciência só poderá explicar além da tessitura ilusória que envolve o cosmo, quando seus cientistas manifestarem a própria luz e assim explicarão a única coisa que permanece inexplicada: a luz! Na ausência de luz própria, só enxergarão matéria escura e explicações limitadas pela campo ilusório que envolve as coisas criadas e oculta a luz. :)

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  3. Interessante lembrar que em várias cosmogonias antigas existe o relato desse "encontro entre a escuridão (o vazio, as águas, a imensidão) e a luz (Deus, ideação cósmica, mente universal). No Gênese temos a clássica frase: " O espírito de Deus pairava (se movia) sobre as águas". Acontece que a ciência não considera as informações que não sejam fornecidas pela própria ciência, mas pelo que podemos ver, a sabedoria espiritual vai se confirmando a cada dia!

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  4. Ciencia ou misticismo?

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  5. Apesar deu ser um grande fã desse tipo de discussão, como cientista tenho o dever profissional de lembrá-los que todos os assuntos aqui tratados não passam de meras teorias. Infelizmente, elas vão tão além do que a ciência é capaz hoje que só podemos especular sobre isso...
    A boa notícia é que, talvez, nós estejamos perto de descobrir as respostas para várias dessas perguntas. Algo entre 50 e 100 anos de entender boa parte disso.

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  6. só que as últimas descobertas sobre o universo constatam que a sua expansão não está desacelerando como seria de se supor se a teoria do big crunch fosse correta. A expansão do universo continua se acelerando.

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  7. MInha teoria pessoal é:

    Einstein postulou : E = mc²

    Lavoisier já dizia: Nada se cria, nada se destroi, tudo se transforma.

    Diante disso digo, Antes so existia a energia e o bigbang é nada mais que o catalisador que transforma toda essa eneergia existente em massa (diga-se materia)!

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  8. ótimo artigo, um dos melhores q já li sobre o mistério da vida,,,,!!! Acredito na lei da evolução q nossa mônada passa por todos os reinos antes de chegar a condição humana..Eu já lembrava de tudo isso,,,e até do big bang....

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  9. Muito bom o seu texto. Sou ateu mas passarei a ser agnóstico.Encontrei uma função para Deus.

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