segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Hicsos e Hebreus no Egito


Durante o Médio Império Egípcio (2000 a 1580 a.C.), o Egito vivia uma disputa política entre o Faraó e a elite religiosa. Por volta do século XVIII a.C. a pressão contra a autoridade do Faraó estabeleceu um grave desacordo, sendo que muitos membros da nobreza, em desafio, permitiram que povos estrangeiros adentrassem o território egípcio, povos que não eram bem vindos, chamados de “vagabundos das areias.

Esses povos eram instalados na região do Delta do Nilo, norte do Egito, para que não tivessem acesso nem contato com a parte rica e civilizada do país, evitando a miscigenação com a população natural. Entre esses povos semitas estariam os filhos de Jacó, os Hebreus e também uma civilização de origem asiática, os Hicsos. Segundo alguns pesquisadores essa chegada se deu devido a uma enorme seca em seu lugar de origem. Podemos então concluir que esses povos se deslocaram até o nordeste da África para fugir da seca, da fome e usufruir das terras e dos mananciais disponíveis.

Enquanto o Egito era tomado por disputas políticas, os Hicsos desenvolveram a sua economia e sociedade, além de formar um exército muito bem armado, com armas resistentes e cavalos de guerra. Dessa forma, quando iniciaram o processo de dominação contra os egípcios não tiveram dificuldade de vencer as instáveis forças que controlavam a região do Delta do Nilo. 


Divindade Ba'al dos hicsos.

Após se firmarem politicamente no Egito, os Hicsos decidiram fixar a capital do Baixo Egito na cidade de Avaris, enquanto a dinastia de Faraó mudou sua capital para Tebas, no Alto Egito, para garantir assim o controle da região sul. Essa divisão política permaneceu por quase um século estável, graças ao bom convívio entre os dois governos no Vale do Rio Nilo, mas sofreu um forte abalo por conta de uma rixa aparentemente banal, segundo documentos desse período. Os relatos dizem que muitas dessas brigas aconteciam porque Os Hicsos tentavam legitimar e estender seus poderes, adotando várias das tradições e costumes desenvolvidos pelos egípcios, por outro lado os egípcios não se conformavam com a perda de uma rica e significativa parcela de seus domínios. 

O termo grego Hicsos deriva do egípcio Hik-khoswet, que significa "governantes de países estrangeiros". O historiador judeu Flavio Josefo, em sua réplica a Apião (c. 20 a.C. - c. 4548 d.C. que foi um gramático e estudioso de Homero , Nasceu no oásis de Siwa, no Egito e viveu na primeira metade do século I.), citando Maneton (sacerdote egípcio e historiador do Século III a.C.), preferiu converter “governantes de países estrangeiros“ em “pastores cativos“, em uma passagem não fidedigna de uma obra perdida de Maneton. Assim associou os hicsos com os israelitas diretamente, conquistando o Egito sem batalha, destruindo cidades e os templos dos deuses e provocando matança e destruição, fixando-se na região do delta do Nilo. 

Os egípcios, por fim, em uma guerra com 480 mil homens cercando Avaris, derrotaram os hicsos em combate. Eles chagaram a um acordo que permitiu que os hicsos deixassem o país sem sofrer danos, levando suas famílias e seus bens, e indo então para a Judéia onde fundaram Jerusalém.

Foi assim, que por volta de 1580 a.C, no governo do faraó Ahmose I, os conflitos militares contra os hicsos se intensificaram, com o intuito de recuperar a unidade política do antigo Egito, tiveram que superar duas frentes de batalha: uma ao norte comandada pelos hicsos e outra ao sul sob liderança dos núbios, povo que cooperou militarmente em favor dos hicsos. Após a vitória o Novo Império (1580 a 525 a.C) inaugurou uma nova etapa na supremacia egípcia.

Imagem representando o Faraó egípcioAhmose I derrotando os hicsos em combate.


Os Hebreus no Egito 

A bíblia nos dá informações escassas sobre a permanência dos hebreus no Egito. Jacó e seus filhos estabeleceram-se na terra de Gessém (no texto hebraico Goshen, no texto dos LXX, Gessém), situada na parte oriental do Delta, região fértil é apta para o pastoreio. Em determinado momento, com o crescimento da população, Gessém tornou se pequena, e os hebreus tiveram que expandir. Preferiram em vez de se estabelecerem em meios hostis egípcios retornar para Canaã, terra que estava ligada a esse por tradições religiosas. Uma vez já tinham voltado para lá, quando José saiu do Egito rumo a Canaã para sepultar Jacó (Gn 5O,7-14). Certamente, depois daquela ocasião, as relações não foram cortadas com a terra das promessas.

Pode o êxodo narrado na Bíblia ser confirmado por outras fontes históricas? E, no caso de resposta afirmativa seriam hebreus os hicsos da época de Ahmose, e qual seria a data de tão importante migração? 

No documentário Êxodo decodificado do History Channel, em parceria com Discovery, novas evidências científicas examinam os textos bíblicos, e as causas da saída do povo hebreu das terras egípcias. Também assinala que o êxodo teria coincidido com a erupção do vulcão Santorine, próximo a ilha de Creta, e as pragas bíblicas seriam as conseqüências de um colapso no Delta do Nilo por essa catástrofe natural. Cataclismo que também é narrado e associado ao êxodo na Bíblia de Kolbrin, a parte mais antiga desta foi escrita supostamente após o Êxodo, que alguns datam do século 15 antes de Cristo.



 
O período dos Hicsos ainda é obscuro na história do Egito. É consensual que eles foram um dos povos asiáticos que ocuparam o Delta do Nilo em busca de alimentos naquela época, parecem feito uma aliança cultural e tecnológica com os egípcios. 

Historiadores modernos não aceitam que hicsos e hebreus eram o mesmo povo, mas aceitam a idéia de uma conquista pelos hicsos. Os vestígios arqueológicos não confirmam nem negam esta conquista militar do Delta do Nilo, e as fontes egípcias contem poucas informações do período que abrange da 14.ª Dinastia a 17.ª Dinastia, por esse motivo acreditam que houve uma desintegração de poder no Egito nesta época.


Joice Alves Duarte
30 anos, mãe e Técnica em Radiologia
Apaixonada pelos mistérios do Antigo Egito e Suméria

12 comentários:

  1. Excelente post. O que eu achei mais interessante no documentario, foi que não deixaram de lado a intervensão Divina. Isso prova que a ciencia e a Espiritualidade andam juntas. Parabens!

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  2. muito bom o documentário!! show!

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  3. infelizmente os vídeos dos documentários foram removidos.

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    1. Está disponível o documentário na integra no netflix!

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  4. Também não acredito que os hebreus e os hicsos possam ser o mesmo povo. pelo fato da história destacar o avanço tecnológico dos hicsos e o conflito entre eles e o egito.Estas caracteristicas não condizem com o que aprendemos sobre o povo hebreu daquela época.

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  5. Na verdade não sabemos nada sobre a biblia. Os catolicos definitivamente não leem a biblia e os evangelicos pagam os pastores para lerem a biblia. outra coisa que eu percebi é que a biblia não bate com historias dos povos vizinho, principalmente o Egitos que já tinha dois mil de historia em 1200 a.c., e eles não falam em em principe moises e seu povo, e a unica referencia de imigração é a entrada dos hicsos que ficaram muito folgados e foram expulsos e bem podiam os hebreus pelo menos fazer parte destes hicsos e quanto dizerem ter sido escravos no egito deve ser manipulação dos sacerdotes.

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    1. http://wol.jw.org/pt/wol/d/r5/lp-t/1200001265?q=hicsos&p=par

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    2. Assista o documentário para tirar conclusões mais detalhadas!

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  6. excelente! mas tambem gosto d+ de deut. 29-29. abraços

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  7. Bom documento
    Gostei muito a historia dos hebreus e muito confusa na biblia parecem sempre com rituais parecidos com os kemeticos e muito e estranhos as sua origem...

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